NOVA CONTRIBUIÇÃO, 26/05/2010, GRUPO 02


No final dos anos 80 e inicio dos anos 90, os estudos e criticas sobre o pós-colonialismo ganharam forca. Os mesmos obviamente foram influenciados por teorias literárias e correlacionados com a história e a antropologia. Segundo alguns pensadores, uma das principais características do estudo pos colonial é o seu caráter abrangente, transversal, visto que envolve teorias literárias já citadas, a psicanálise, a filosófica, a antropologia, a história e a política.
De inicio, dizem que as primeiras referências ao termo e seus problemas surgiram entre os teóricos anglo-saxônicos (Estados Unidos, Inglaterra, Austrália e nas antigas colônias francesas) e multiplicaram-se também entre os intelectuais da diáspora do colonialismo Frances, neerlandês e mais recentemente do português e espanhol.
Para o antropólogo Miguel Vale de Almeida (2000), sobre o "pós-colonial", devemos levar em consideração que:
1) o termo deverá ser aplicado ao período posterior ao colonialismo, mas também posterior ao fracasso dos projetos nacionalistas e anti-colonialistas aplicados logo após as independências;
2) o termo deverá aplicar-se aos complexos de relações transnacionais entre ex-colônias e ex-centro colonizadores;
3) tudo o resto, como globalização, settler societies, neocolonialismo, colonialismo interno, devem ser tratados nos seus próprios termos (ALMEIDA, 2000, p. 231).
Ainda assim, não se pode generalizar e dizer que as sociedades são todas pos coloniais da mesma forma. O pós-colonialismo só passa a ser um conceito aceito a partir do momento que ajuda-nos a pensar, conversar e relatar as mudanças nas relações globais que marcam as passagens diferentes da era imperial para os dias de hoje. Por um lado, tal característica é um termo que caiu no comum uma vez que tanto colonizadores como colonizados sofrera com o processo colonial. Por outro, tal termo não pode ser totalmente descritivo,que representa algo que procede determinada época. “Ele deverá reler a colonização como parte de um processo essencialmente transnacional e transcultural global, produzindo uma reescrita descentrada, diaspórica ou global de anteriores grandes narrativas centradas em nações.”
Sendo assim podemos inferir que o pós-colonial não é meramente uma periodização baseada em estágios. Este não é apenas um "pós" de superação de etapas, mas é um "pós" do gesto de "abrir espaços", por ser posterior a algo, mas também por rejeitar os aspectos "de" algo. Não significa que uniformemente as sociedades coloniais ou tradicionais ultrapassaram o "colonialismo". Significa que esta é uma condição de posturas intelectuais, estéticas, políticas e econômicas marcadas pela deslegitimação da autoridade, poder e significados produzidos pelos impérios ocidentais.
É um "pós" que contesta narrativas anteriores, legitimadoras de dominação e poder, como, por exemplo: de raça, gênero, classe, nação e etnia. Nesta perspectiva, o entendimento do "pós-colonialismo" como substantivo propõe a idéia de uma condição universal do pós-colonial. Condição global que emerge na literatura, na filosofia, na estética e na política fruto da mútua experiência colonial na metrópole e nas colônias.
Em outras palavras "as perspectivas pós-coloniais emergem do testemunho colonial dos países do Terceiro Mundo e dos discursos das 'minorias' dentro das divisões geopolíticas de Leste, Oeste, Norte e Sul" .Para alguns, o "pós-colonial" marca uma condição latente da contemporaneidade e torna-se também um projeto literário, político e teórico.